Banheiros públicos

Odeio esses banheiros modernos. Essas torneiras com sensores, que quando aproximamos a mão, sai a água. Tudo muito lindo, econômico e politicamente correto se não fosse o fato de que os sensores sempre enguiçam!  E é muito comum, depois daquela mijadinha básica no restaurante, entupir a mão de sabonete (aqueles líquidos cor de rosa, melados e com cheiro pior do que o próprio banheiro) e depois, só depois, perceber que o maldito sensor da torneira enguiçou. E nos vemos ali, com a mão lotada de sabonete líquido! E ficamos horas em frente ao espelho, olhando a cara de idiota e pensando o que fazer...

 

Sem contar com aqueles malditos secadores de mãos no lugar das toalhinhas de papel. Quando estamos suados e vamos lavar o rosto e só depois percebemos que não há toalhas de papel. Somente aquele maldito secador, colocado numa altura ridícula, impossível pra enfiar a cara embaixo. Claro que depois que depois de encharcar a fuça de água e tentar secar o rosto, entra alguém e nos vê ali que nem palhaço. Não dá pra disfarçar.

 

Isso porque ainda não falei daquela privadinha estúpida, usada só pra urinar, onde ficamos de pé, olhando aqueles cartazes com propaganda. É só mirar ali e urinar, que os respingos voltam pra você. Agora sim, além de ter que lavar as mãos na tal da pia econômica com sensor, ainda temos que lavar o braço!

 

E sempre tem aquele apoio em cima dessas privadinhas estúpidas. Perdi as contas de quantas vezes bati a cabeça ali ao olhar pra baixo pra ver se estou mijando no lugar certo.

 

Não existem aviso do tipo “cuidado, apoio em frente”. Aliás, será que alguém apóia alguma coisa ali? Ou aquilo é justamente um apoio de cabeça que eu estou usando da forma errada e por isso sempre saio com um galo?

 

Conforme converso com as pessoas, vejo que esse tipo de reclamação não é só minha. Além é claro daquelas clássicas, como por exemplo estar apertado, com a barriga inflando de tanto aperto e ter que esperar pra sentar no vaso porque o banheiro está lotado. Além disso, é comum o idiota que usou antes de você tenha urinado por toda a tampa do vaso, fazendo com que a sua barriga infle e doa cada vez mais porque você ainda tem que limpar o acento ou se ajustar numa posição adequada, mas que não encoste a bunda na parte mijada. Pra completar o infortúnio, o banheiro nessas situações, está sempre lotado e você sabe que não vai conseguir fazer tudo quieto. Você tem plena consciência de que ruídos serão expulsos do seu intestino, e que não são ruídos em níves aceitáveis. São ruídos fortes e você, já sabendo disso, tenta fazer tudo muito devagar pra que nenhum barulho indesejado saia dali. E é claro, todos os ocupantes do banheiro ficam bem quietinhos assim que você abaixa as calças, parece que é de propósito.

 

Isso sem contar as bichinhas que pedem insistentemente pra “balangar” o seu @#!!! Depois da mijada.

 

É isso... banheiros públicos só em último caso mesmo, quando aquele tal ruído passa a ser o menor dos seus problemas (se é que nesses casos ele chega a ser um problema).

Automatização

Acho incrível como hoje em dia tudo é automatizado. Até as pessoas. Além do uso de máquinas e computadores para tarefas antes feitas por um ser humano, temos agora o novo modelo de ser humano, que mais se iguala a alguma máquina nova lançada pelas empresas do que propriamente uma pessoa.

 

As empresas respondem por nomes conhecidos, como Blockbuster ou alguma operadora de cartão de crédito. Funcionários de grandes redes e operadores de telemarketing são os maiores exemplos do que quero dizer aqui.

 

Outro dia fui alugar filmes na Blockbuster com a minha namorada. Fiquei impressionado. Fomos na sexta feira e alugamos dois filmes. Ao chegar no caixa, o exemplo de funcionário padrão contemporâneo começa a descarregar todo o texto decorado em horas de ensaios na frente do seu chefe (por favor, leia sem fazer pausa, num fôlego só, de preferência em voz alta):

-Gostaria de adquirir o plano super ultra master plus que por apenas sessenta e nove reais você pode alugar quantos filmes quiser no período de um mês, tendo desconto de não sei quantos reais na locação, o que representa uma economia de não sei mais quantos reais no período de um ano?

-Não obrigado.

-Com esse plano, o senhor...

Pagamos e fomos embora, deixando o pobre infeliz falando sozinho.

 

No domingo voltamos lá, devolvemos os filmes (devidamente trocados – DVD de um na caixa do outro – molecagem que não consigo me livrar) e alugamos mais dois. Chegamos no caixa e o mesmo exemplo de funcionário padrão contemporâneo começa a descarregar seu discurso (por favor, leia novamente sem pausas):

-Gostaria de adquirir o plano super ultra master plus que por apenas sessenta e nove reais você pode alugar quantos filmes quiser no período de um mês, tendo desconto de não sei quantos reais na locação, o que representa uma economia de não sei mais quantos reais no período de um ano?

Qual parte do “não, obrigado” ele não entendeu? É algo tão mecânico, que ele nem percebeu que era eu lá de novo.

 

No médico, outro dia, toca meu celular. Eu confesso que ando sem paciência ultimamente... Era o maldito telemarketing. Aquela voz de mulher pergunta com quem ela está falando...

-Você ligou pra mim. Não sabe quem eu sou? Se não sabe, por que ligou? – eu disse.

-Senhor (o maldito “senhor” de novo) aqui é da Embratel...

Interrompi o discurso perguntando se por acaso se tratava de alguma promoção.

-Não senhor, é só uma dica de economia. – disse a infeliz.

-Não estou interessado. – Respondi.

-Mas senhor...

-Eu já falei que não quero saber de nada. E desliguei o telefone sem dó.

Não sei como as empresas ainda mantém esse serviço de telemarketing. Não conheço ninguém que goste, e todos sempre me dão dicas de como acabar com a raça desses malditos operários tecnológicos modernos. Mas eu sempre me vingo.

Sou filho da puta mesmo. É a minha natureza. Não consigo ser bonzinho. Nunca!  Já fiz de tudo. Certa vez, esperei o ser humano automatizado descarregar todo o texto que ele decorou. Esperei. Quando ele parou de falar, perguntei se ele havia terminado. Ele disse que sim. Foi então que eu disse:

-Então tchau. E bati o telefone. Ou às vezes penso numa pergunta que sei que ele não vai saber responder, porque o chefe dele não pensou naquela questão. Claro, os chefes são versões atualizadas do mesmo software ao qual pertencem os funcionários padrão.

Típico de grandes corporações. McDonald’s, Blockbuster e etc, modelos do “enfiem na fuça dos clientes qualquer coisa que possa nos render ainda mais”

Me dá dó. Mas é assim mesmo. O tal do primeiro emprego que dura até depois que eles se formam na faculdade (os que não são tão idiotas).

 

Mas é isso aí. Dar bom dia quando você entra na loja, e aquele sorriso amarelo de quem não está tendo um bom dia. Mas ter sua foto pendurada na parede com os dizeres “Funcionário do Mês” é realmente uma felicidade, mas custa caro.
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Homem, de 26 a 35 anos
MSN - Deixe o seu primeiro